segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cantiga de amigo


Flores do campo, que tuas pétalas
Voem para onde o meu amado está
E, com o teu cheiro, mostra-lhe
Minhas saudades e meu enorme amor

Pássaros sem destino, ouçam meu pedido:
Levem em seus bicos bilhetes de amor
Entreguem ao meu namorado
Minhas saudades e meu enorme amor

Oh Lua prateada, tão bela  e solitária, sois
Só tu entendes meu sofrimento e por isso
Suplico-te: reflete ao meu amante
Minhas saudades e meu enorme amor 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Lição de política


Depois da aula que tive hoje de manhã da disciplina de Política Educacional e Organização da Educação Básica, não pude deixar de postar o texto que iniciou a aula desta disciplina, que pelo nome já causa muito medo(risos), mas que ao conhecê-la aos poucos tenho certeza que só vai acrescentar mais conhecimento para mim e para meus colegas de curso, além de  fortalecer o desejo de mudança na Educação que tanto queremos.
Aproveite a leitura e reflita!

Pastava uma plácida vaquinha por campos verdejantes, feliz da vida pelo capim que comia; quanto mais comia, mais engordava, era capim demais para uma vaca só...
Voava por ali uma mosca-varejeira que, ao ver a gorda vaquinha, pensou: Que carne macia para nela botar meus ovos... E ligeirinha se aproximou.
Mas a vaca, sabedora das manhas da varejeira, espantou-a logo com uma rabada vigorosa. A varejeira, vendo baldados seus esforços, resolveu adotar uma abordagem diferente. Psicológica. Flutuou, então, voante, diante do focinho da vaca e começou uma conversa mole.
- Como a senhora é grande, dona Vaca! Merece mais espaço do que tem. Eu, mosca minúscula, ando por todos os lados e não há cerca que me detenha. A senhora vê aquele gordo pasto além da cerca? É muito melhor que este aqui.
E com essas palavras foi e voltou como um raio, para provar o seu ponto.
- Acho que a senhora, pelo seu tamanho e utilidade, tinha de ter este direito que eu tenho: o direito de voar e saltar sobre as cercas. Se a senhora se sente feliz com o capim deste pastinho, quão mais feliz se sentirá se puder pastar por todos os pastos que há...
A vaca, picada pelas palavras da mosca, lhe perguntou:
- Mas o que é que posso fazer?
- Eu posso ajudá-la - a varejeira afirmou. - Basta que eu bote meus ovos nas suas costas. De cada ovo nascerão duas asas e, em breve, a senhora terá milhares de asas com que voar...
- Por favor - disse a burra e democrática vaquinha -, bote seus ovos em minhas costas. - E, com essas palavras, enfiou o rabo no meio das pernas.
A varejeira começou o seu trabalho enquanto a vaca lhe dizia:
- Bote mais um, por favor...
Dentro em breve as costas da vaca estavam cobertas de calombos. Cresciam os bernes lá dentro, bebiam o seu sangue e a atormentavam com ferroadas.
- Está doendo, dona Varejeira - reclamava a vaca.
- A senhora já viu parto sem dor? São as 9.555 asas que estão nascendo...
A vaca emagrecia.
- Estou ficando fraca, dona Varejeira.
- Mas, depois que tiver asas, comerá de muitos pastos e ficará forte como um touro - a varejeira retrucava.

***

 A fábula, já nossa conhecida, interrompe-se aqui, como o penúltimo capítulo de fita em série. A vaca voará? Continuará burra, acreditando na varejeira? Será comida pelos bernes?

A vaca é o país. Os bernes são os políticos.

Lição número 1: bernes não sonham sonhos de vaca. Bernes só sonham sonhos de berne. Sonho de berne é comer carne de vaca. A vaca está condenada a ficar cada vez mais magra. Terminará por morrer de anemia.
Lição número 2: é inútil dar fortificantes para a vaca enquanto os bernes estiverem nas suas costas. Fortificantes para as áreas econômica, de saúde e educação são paliativos enquanto dali não forem extraídos os bernes políticos. Os problemas que aí existem são consequências diretas da ação dos bernes, que pouco se importam com a saúde da vaca.
Lição número 3: vaca com berne só pensa em berne. As ferroadas não lhe deixam nem pensar nem gozar as coisas boas da vida.
Assim nós... Já nem sabemos conversar... Abrimos os jornais diariamente, e o costume já é procurar as fezes da classe política. É sobre elas que falamos todo dia, toda hora! Talvez este seja o maior crime que se cometeu contra o povo: roubaram-nos a capacidade de pensar bonito.
Quarta lição: berne só sai da vaca espremido...
Da mesma forma como não se pode esperar que os bernes saiam das costas da vaca por vontade própria, não se pode esperar que a classe política se regenere. O lema de "ética na política" é tão irrealista quanto o lema de bernes vegetarianos. Alguém deverá espremer os bernes.
O que estou dizendo já foi dito por Guimarães Rosa, por Albert Camus, por Hermann Hesse, que afirmava que a sabedoria política, hoje em dia, não se acha onde se encontra o poder político. Urge que toda uma corrente de inteligência e de intuição irrompa das camadas não oficiais, quando se trata de impedir as catástrofes ou de atenuar-lhes os efeitos.
A esperança para a política virá dos que não são políticos profissionais: não militam em partidos, não se candidatam, não ganham com seus cargos, não gozam de mordomias, estão fora dos círculos de poder onde se decidem as maracutaias para engordar bernes e emagrecer a vaca...
Sonho com uma política a ser feita por aqueles que nada desejam ganhar, a não ser a alegria de contribuir para diminuir o sofrimento do povo.
Dirão que sou sonhador. Mas, como estou escrevendo na manhã em que se proclama que a vida ressuscita do meio da morte, sinto-me no direito de pensar o impossível...


ALVES, Rubem. Conversas sobre Política. Campinas, SP: Verus Editora, 2010. p.91-94


domingo, 15 de maio de 2011

Contradicción


Soy un deseo dividido en dos
que hoy dice sí y mañana no
una constante contradicción
que hoy dice amé, te dice amén
por no decirte adiós.

(Axrs)


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bloomfield e Saussure, esqueçam-me!

Faz praticamente um mês que comecei um relacionamento, que chamei de namoro, com o Ferdinand Saussure. No nosso namoro era tudo bem estruturado, já que ele adorava um "estruturalismo". Mas de um tempo para cá, a nossa "sincronia" foi se perdendo com a "diacronia".
Nossa relação que era "sintagmática" e obedecia uma "linearidade", deu lugar à uma relação "paradigmática" que   se associava em fazer trocas! Pois bem, depois dessa de fazer trocas, não pude suportar essa "arbitrariedade" e resolvi enamorar-me de outro rapaz. 
Esse outro rapaz chamava-se Bloomfield. No começo ele foi muito carinhoso comigo, e a base do nosso relacionamento era a distribuição do amor e do respeito, já que ele adorava um "distribucionalismo". No início ele me lembrava muito meu ex, o Saussure, mas com o passar do tempo percebi a sua singularidade...
Mas infelizmente, o nosso namoro também teve um fim! Ele era "descritivo" demais e isso me irritava profundamente, além de que ele resolveu eliminar a "doutrina histórica da linguagem" - de amor que nós tínhamos, que por sua vez perdeu todo o "sentido de significação".
  




domingo, 3 de abril de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Canção dos imperfeitos


Composição: - Pe. Zezinho.

E se for pra semear a esperança num jardim

E se for pra desculpar uma criança eu digo sim

E se for pra perdoar não tenho escolha

Também sou pecador, também preciso de perdão


Não sou santo nem sou anjo e nem demônio eu sou só eu

Imperfeito, insatisfeito, mas feliz, aqui vou eu

Eu sou contradição, eu sou imperfeição, só Deus é coerente


Já sorri, já fiz feliz, já promovi, já elevei

Já chorei. já fiz chorar, já me excedi, já magoei

Eu tenho coração mas sou contradição só Deus acerta sempre


Por isso eu canto esta canção, canção de amor arrependido

Ao Deus que é pai, ao Deus que é paz, ao Deus que é luz, ao Deus que é vida

Pois quando a gente cai Deus age como pai, perdoa, perdoa

E torna a perdoar e ensina como amar

Eu sou contradição eu sou imperfeição, mas Deus, Ele é perdão.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Amor que não se cansa de amar...

Minha vida não mudou muito depois do retiro de carnaval que participei... Mas muita coisa dentro do meu ser mudou! Estava precisando me aproximar mais de Deus, reparar mais no seu Amor, o sentir e o repassar! Como foi bom! Como foi ótimo! Como foi maravilhoso! Às vezes me faltam palavras pra definir esse retiro.
Muitas pessoas foram pra lá à toa, entretanto tenham a certeza, elas não voltaram pra suas casas à toa! Posso dizer que voltei com mais sede de Deus, de sua palavra, de seu amor! Com mais vontade ainda de levar Ele para as pessoas que não conhecem, ou que fingem que não conhecem. Fico me perguntando, como conseguimos ser tão indiferentes ao amor de Deus, que perdoa, que é misericordioso, que deu a sua vida por nós... Como conseguimos não pensar em todo sofrimento que Jesus passou, por toda humilhação sofrida...
Voltei mais consciente de que tudo que faço é pouco por Jesus e estou tentando colocar isso na cabeça das pessoas que estão ao meu redor. Também voltei mais católica, não fanática, mas entendida de minha religião e no que eu acredito...
Dúvidas com relação a minha vocação também é válida citar, porém ainda não "ouvi" o chamado, por enquanto vou indo, amadurecendo na fé, ajudando a minha Igreja e o próximo do jeito que eu puder, semeando a palavra do Altíssimo, tentando convencer as pessoas que amar e servir a Deus não é questão de sentimento e sim de decisão! E se alguém um dia me falar que Deus não existe... Vou responder assim: É mais bonito você falar que não O conhece, porque de existir Ele existe sim! É só procurar, que você O encontra! Já dizia São Lucas: “Todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11,10).
Enfim, espírito renovado, mais cheia de fé e repleta do Amor que não se cansa de amar! Ahhh o amor de Deus! =)